quinta-feira, 31 de maio de 2012

Muda


A palavra emudece
se o cansaço se agiganta
se o ânimo esmorece
se as lutas parecem açoite
se o alívio não chega
no silêncio da noite

a palavra se cala
presa na garganta
na guerra dos dias
alí onde palpita
e a vezes nasce
alguma poesia

a palavra se desfaz
num olhar perdido
num adeus fugaz

Autoria: Marizélia Finger
Imagem; Google




quarta-feira, 9 de maio de 2012

Por Neli Germano


"Peregrina pela solidão e perde-se entre seus eus
É a Zeus que recorre
- Deus das tempestades -
Precisa entender as estripulias do amor
Do desejo
Aspira paz ao cupido, mas esse salta das fotografias,
alonga-se pelos corredores e tropeça em sua boca
E o que vem depois é saudade
São muitos eus para Zeus
Melhor não fugir da realidade."

Imagem: Google
09/05/2012

quarta-feira, 28 de março de 2012

Siga


Ando pela estrada
entre espectros - vultos
de sonhos mortos
no coração um túmulo

vejo montes de entulho
sombras do que viví
mas sem remorso
deixo prá trás
pesada bagagem
que não serve mais

sigo a viagem
passos incertos
abraço o escuro
com os olhos abertos

ao longo do caminho
luminosos expõem
meus erros banais
não importa porém

há outros sinais
que indicam onde ir
- siga - dizem as setas
em letras garrafais

e só me resta seguir

Autoria: Marizélia Finger
Imagem: Google

sábado, 10 de março de 2012

Essência



“nosso tempo” brotou em mim
o que de melhor tenho – meu sentimento

extirpei medos
não mais fecho as cortinas
deixo as palavras entrarem com graça
devoro-as como mulher faminta
não fico aflita

te sinto
como creme na pele
e essa pele roga
para que me veles
verdadeiramente
na mais pura essência
do que somos (ou podemos ser)

Autoria: RR - 06/11/2011
Imagem: RR
Poesia premiação com Menção Honrosa no 6o. Concurso EXPRESSO DAS LETRAS em 03/03/2012



domingo, 29 de janeiro de 2012

Por Hilda Hilst


Enquanto faço o verso, tu decerto vives
Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue
Dirás que sangue é o não teres teu ouro
E o poeta te diz: compra o teu tempo
Contempla o teu viver que corre, escuta
O teu ouro de dentro. É outro o amarelo que te falo
Enquanto falo o verso, tu não me lês
Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala
O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas:
"Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas"
Irmão do meu momento: quando eu morrer
Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo
MORRE O AMOR DE UM POETA
E isto é tanto, que o teu ouro não compra
É tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto
Não cabe no meu canto

Imagem: Google

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Latitude urgente


É preciso mexer
no mecanismo dos ventos,
incendiar o medo, colocar
um rock-frevo no toca-discos.


Compor atmosfera nova,
sabotar o tempo,
parir temperatura leve, aquecida.


Diminuir a pressão
em todas as altitudes,
diminuir a pressão
de todas as atitudes.


Mas, sobretudo é preciso
soltar a fera de um novo amor.


Autoria: Mario Pirata (Jan.2012)
Imagem: Google

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Arte



eu – uma tela em branco
pincéis e aquarela
impulso
cores entrelaçadas
jogadas por minhas mãos
na tela – jogo de sedução
pincéis intactos
apreciam a cena
entendem
momento ímpar
limite entre realidade e ficção
necessidade de extravasar a emoção


arte?
não! solidão!


RR - 07/01/2012
Imagem: Google