quarta-feira, 15 de junho de 2011
Alta tensão
Eu gosto dos venenos mais lentos
dos cafés mais amargos
das bebidas mais fortes
e tenho
apetites vorazes
uns rapazes
que vejo passar
eu sonho
os delírios mais soltos
e os gestos mais loucos
que há
e sinto
uns desejos vulgares
navegar por uns mares
de lá
você pode me empurrar pro precipício
não me importo com isso
eu adoro voar.
Autoria: Bruna Lombardi
Imagem: Google
terça-feira, 7 de junho de 2011
Borges ...
E a vida anda solta
Pelos lados da Borges
Lá repouso minha´alma
Nos finais de semana
Com toda ternura
Que ela emana
RR - 07/06/2011
Imagem: RR
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Poeta & Leitor
A caneta serpenteia na folha de papel
A ideia pulsa na veia do poeta
Mescla amor, fogo e ferro
Oferece com se fosse flor
ao leitor
que suga o texto como a abelha o mel
Humano e fera
se apodera
olhar
memória afetiva
releitura
Recria sua própria história.
Por: Roberto Passos do Amaral Pereira - 29/05/2011
Imagem: Google
domingo, 29 de maio de 2011
O Efêmero
Já não leem o que escrevo
no agora, julgam-me apenas
pela inconstância do relevo.
Morrem a metáfora e o olfato
nos olhares que agonizam
sobre a semântica do ato...
Efêmero, alguém no outro lado
teme pela vida que logo
cairá no mundo da língua vazia.
Aqui: o amor erógeno. E lá
entre carros e sombras
está o caos sem fantasia;
vultos, inexistentes em si
entreolhando-se estaremos nós
às ruas, apressados
pela interminável respiração que se alonga já sem fôlego
[aos olhos que morrem ao ver o mundo sem poesia.
Delalves Costa
Professor e escritor
DEVORE CULTURA - acesse: www.aeln.gov
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Mulher & Criança
No barco sou mulher
Calculo a quantos pé estou
Para que lado dança o vento
Qual a temperatura da água no momento
Quando caio n´água
Sou criança
Nado, grito
Aceno para o barco
Falo: “Vá embora! Ficarei aqui comigo!”
RR - 26/05/2011
Imagem: Google
domingo, 22 de maio de 2011
III Encontro Anual dos Netos da Vó Rosalina
Que os anjos nos reservem
momentos puros
largas risadas
lembranças engraçadas
e uma vida abençoada
para continuarmos reverenciando a vó
que foi a nossa delicada matriarca.
RR - 22/05/2011
Imagem: RR
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Sobre a compaixão ...
"Meu coração fica junto ao coração dela ..."
“A boca fala do que está cheio o coração”: esse é um ditado da sabedoria judaica, que se encontra nas Escrituras Sagradas. Bem que poderia ser a explicação sumária daquilo que a psicanálise tenta fazer: ouvir o que a boca fala para se chegar ao que o coração sente. Acontece comigo. Cada texto é uma revelação do coração de quem escreve.
Pois o meu coração ficou cheio com uma coisa que me disse minha neta Camila, de onze anos. O que ela falou fez meu coração doer. Como resultado fico pensando e falando sempre a mesma coisa.
A Camila estava na sala da televisão sozinha, chorando. Fui conversar com ela para saber o que estava acontecendo. E foi isso que ela me disse: “Vovô, quando eu vejo uma pessoa sofrendo eu sofro também. O meu coração fica junto ao coração dela...”
Percebi que o coração da Camila conhecia aquilo que se chama “compaixão”. Compaixão, no seu sentido etimológico, quer dizer “sofrer com”. Não estou sofrendo. Mas vejo uma pessoa sofrer. Aí eu sofro com ela. Ponho o outro dentro de mim. Esse é o sentido do amor: ter o outro dentro da gente. (...)
Fernando Pessoa escreveu um curto poema em que descreve a sua compaixão. Por favor, leia devagar: “Aquele arbusto fenece, e vai com ele parte da minha vida. Em tudo quanto olhei fiquei em parte. Com tudo quanto vi, se passa, passo. Nem distingue a memória do que vi do que fui”. (...)
De que vale o conhecimento sem compaixão? Todas as atrocidades que caracterizam os nossos tempos foram feitas com a cumplicidade do conhecimento científico. Parece que a inteligência dos maus é mais poderosa que a inteligência dos bons. (...)
Mas continuo perdido. Preciso que vocês me ajudem. Como se pode ensinar a compaixão?
Por Rubem Alves
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